Limpeza de rios

A vegetação ripícola tem maior importância na determinação e garantia da funcionalidade da linha de água, seja ela hidrológica, hidráulica ou biológica, influenciando determinantemente a qualidade, o bom estado e o potencial da mesma.

É imperativo, portanto, assegurar uma adequada gestão dessa vegetação, de modo a garantir que ela cumpra adequadamente as diferentes funções, no contexto de conservação e valorização das linhas de água. Importa, pois, controlar a vegetação de forma a maximizar a sua funcionalidade técnica e garantir a perenidade da mesma. Este tipo de intervenção apresenta vários objetivos (Teiga, 2011):

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Com a limpeza do material lenhoso pretende-se retirar todos os objetos que constituem obstáculos ao normal fluxo da água ou que possam induzir perturbações nos processos característicos das linhas de água e corredores ripícolas. Isso permite um escoamento mais eficaz, evitando, assim, cheias e erosão.

O material lenhoso que sai desta limpeza pode e deve ser utilizado para a construção das técnicas de engenharia natural, reutilizando e poupando custos da obra. O material que não tenha aplicação na obra ou que sobre, pode ser colocado em pilhas de madeira (não ultrapassando 1 metro de altura), servindo então como abrigo para muitas das espécies locais e reduzindo os custos de transporte da mesma para um aterro (Pereira, 2015).

Atividades de limpeza e corte:

  1. Corte da vegetação rasteira com roçadoras
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  2. Podas
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  3. Replantação de árvores no leito do rio nas margens
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  4. Corte de árvores caídas ou mortas
  5. Eliminação de invasoras

Candidaturas a limpezas de Rios

Existem por vezes candidaturas abertas no âmbito do Portal Portugal 2020 para financiamentos e intervenções. https://www.portugal2020.pt/portal2020/indice-candidaturas

As melhores Técnicas de Limpezas

Silvados

- Controlo físico com arranque /corte mecânico
Consiste em submeter o silvado a uma série de cortes sucessivos da parte aérea. Devem ser feitos cortes de forma a evitar a multiplicação vegetativa, bem como promover o enfraquecimento dos novos rebentos. Os cortes poderão ser efetuados com uma roçadora manual ou mecânica acoplada a uma máquina/trator.

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Plumas ou erva das pampas

- Controlo físico por arranque manual/mecânico

O arranque é a metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens presentes em solos arenosos. Em situações de substratos bem compactados, o arranque deverá ser realizado na época das chuvas ou por processos mecânicos. O corte mecânico está direcionado para plantas de maiores dimensões. Este tipo de controlo deve garantir que não ficam raízes no solo e/ou rizomas arrancados em contacto com o solo, já que estes recuperam facilmente. Pode ser feito através do corte da parte radicular ou das panículas.

- Corte e remoção da parte radicular

Aplica-se a plantas de maiores dimensões sempre que não for possível o arranque. O corte pode ser realizado com roçadora (Figura 11) e a remoção da parte radicular pode ser feita com recurso a equipamento manual e/ou mecânico.

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Erva da fortuna

- Controlo físico por arranque manual/mecânico

Método utilizado em áreas invadidas, de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam fragmentos de maiores dimensões no solo.

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- Solarização

Como esta planta se desenvolve em espaços florestais e ensombrados uma solução passa por realizar cortes (podas) na vegetação arbórea para promover a entrada de luz, constituindo assim uma alternativa ao arranque manual, sobretudo em áreas extensas invadidas pela espécie. É Importante minimizar o impacte nas espécies nativas.

- Controlo químico -> Aplicação foliar de herbicida

Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato, triclopir) limitando a aplicação apenas à espécie-alvo. Deve ter-se em atenção as espécies na envolvente.

Corte seletivo e poda de formação (árvores e arbustos)

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Remoção de material lenhoso

A remoção deve ser seletiva para permitir a potencial reutilização do material lenhoso, nomeadamente em ações de estabilização de margens (estacas de espécies autóctones) e construção de micro e mini-açudes. O restante material deve ser encaminhado para o destino mais adequado, nomeadamente para lenha e/ou compostagem, de acordo com o seu tipo. Assim, o material lenhoso deverá ficar “empilhado” entre 5 a 10 metros pelas margens de modo a promover o habitat de espécies faunísticas, criando abrigos e evitando os custos de transporte de material vegetal. Este tipo de trabalhos pode incluir diferentes abordagens, a remoção manual ou remoção mecânica com recurso a retroescavadoras ou tratores.

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Remoção de resíduos domésticos e entulhos

A remoção de resíduos deve ser realizada em todos os espaços onde estiver referenciada, principalmente onde são localizados resíduos domésticos e deposição de entulhos. A remoção deve ser seletiva, para permitir a valorização dos resíduos e seu encaminhamento para o destino mais adequado, nomeadamente para reutilização, reciclagem e/ou compostagem, de acordo com o tipo de resíduo, e para facilitar a programação da coordenação dos trabalhos.

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